Morar sozinho é bizarro. Sério. Meus pais foram pro Brasil há mais ou menos uma semana e me deixaram aqui pra cuidar de mim mesmo e chorar no travesseiro toda noite até dormir, sussurrando que eu quero a minha mãe. Tá, não é pra tanto. Mas enche o saco de vez em quando voltar cansado do trabalho pra uma casa fria e vazia.
E é tão tão tão estranho como as coisas não funcionam sem meus pais aqui. Antigamente eu terminava de comer, punha o prato na pia e pronto. Na manhã seguinte o prato já tinha desaparecido e eu não precisava me preocupar com nada. Agora não. Eu termino de comer, ponho o prato na pia e saio todo serelepe pra cuidar da minha vida. Quando eu volto pra casa à noite, quem ainda está na pia? O maldito prato, claro. O infeliz não tem a decência de se auto-lavar, guardar e secar. Eu que tenho que ir lá dar banho na boneca. Não que eu lave os pratos né, minha pia já ta tão empilhada que eu to quase esperando que um monte de gente se reúna em volta dela até Deus achar que é uma torre pro céu e fazer com que cada um fale uma língua diferente.
Meu quarto é outro. Parece que explodiu. Todas as minhas roupas de repente decidiram que precisam ser livres e pularam do armário direto pro chão. Estão lá faz uns quatro dias. Quer dizer, é uma luta de perseverança. Eu não vou guardá-las e elas não vão voltar sozinhas. Quem ceder primeiro perde.
E agora que uns amigos meus vem passar o fim de semana aqui eu vou ter que dar um jeito de fingir que sou uma pessoa limpa e organizada. Ou eu posso trocar estadia por faxina.
Hum, até que é uma boa idéia.
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Luta de perseverança foi ótimo! hahaha
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